Como diria Clarice: várias faces do mesmo eu..

"A sua dor também me dói, mas por ser sua do que por ser dor. E se eu disser de novo a palavra saudade vou estar abusando das letras. Não vivemos o que tínhamos para viver e essa sensação é bolo que não assou, é chuva que não choveu é latido sem som. Tivemos boa vontade, mas ditados já dizem que delas todo lugar está cheio e não somos pessoas de qualquer lugar. Temos os nossos. Isso podemos dizer que fizemos: construímos histórias em lugares, tantos deles. Não paramos porque o movimento nos fazia amor e quando paramos o amor acabou. A nossa música ainda toca, eu tenho ela aqui. E lembro a primeira vez que você me disse três palavras juntas. Eu estava girando. Hoje não giro, ando em linha reta e me pergunto quem foi que me disse que era pra andar assim. Lembro de você com fome e eu te dando café da manhã. Somos pessoas de fome, não é? E saudade (aí vai ela) é fome que não se mata. Até te ver. Eu sonho outros sonhos e você vive outra realidade. Roda Gigantes de tamanho que subestimamos. Já disse que você usava shorts e eu saia rodada, fomos infantis menino, fomos infantis e agora é viver de gotas que escorrem e de fumaça que saem dos cigarros que pensam em nós. Porque nossa história agora é história."
 
(Camilla Tebet)