Como diria Clarice: várias faces do mesmo eu..

"Não temo não saber o que falar, porque é fato aceito, consumado, que não vou saber. O medo é encontrar você pelos arredores do bairro. A tua preferência por cores escuras ainda é lembrança viva dentro de mim; e eu tenho uma vontade enorme, danada, de correr, sabe, de sumir, quando vejo um azulmarinho ganhando as calçadas da cidade por aí. Eu não tenho medo de você. Eu tenho medo é de querer.
Respeite o fato de que, por enquanto, a cidade também é minha e de que me assusta a possibilidade da presença de tons sujos. Os meus vermelhos palpitam se eu imagino cruzar com você nas avenidas que nem são dos meus atropelamentos, mas a sua presença me atropela: eu despedaçada, estilhaços de uma felicidade que não foi.
Te incendeio dentro de mim. Não é sempre. É só quando dá vontade de te ver feio, desfigurado. É só algumas vezes, durante a manhã, quando o sol parece não se importar e eu lembro da nossa preferência por lugares frios. E eu lembro de você. Você: a grande maravilha: incólume, sempre: a Muralha da China, você.  E eu sempre assim, toda aos pedaços, mas forte, consciente de que pra viver é preciso sabotar você.
Ou ir embora. Deixar que cada pedaço desse chão que odiamos seja só teu. Te matar de inveja quando eu conviver com a neve. Me matar de tristeza porque você não estará, ainda que pra me despedaçar e dilacerarmos nossos corações de novo nesse jogo eterno jogo-de-quem-pode-mais. Nunca é game over sem você."