Como diria Clarice: várias faces do mesmo eu..

"Sentou-se para descansar e em breve fazia de conta que ela era uma mulher azul porque o crepúsculo mais tarde,talvez fosse azul...faz de conta que fiava com fios de ouro as sensaçõesfaz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedosfaz de conta que uma veia não se abrira efaz de conta que dela não estava em silênciofaz de conta que amava e era amadafaz de conta que não precisava morrer de saudadefaz de conta que estava deitada na palma transparente de Deusfaz de conta que era sábia o bastante para desfazer nósfaz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua, pois era lunarfaz de conta que se fechasse os olhos seres amados surgiriam quando os abrissefaz de conta que tudo não era faz de contafaz de conta que ela não estava chorando por dentro_ pois agora mansamente, embora de olhos secos, seu coração estava molhado."


(Clarice Lispector)