Como diria Clarice: várias faces do mesmo eu..

"Só que aí eu acabei mudando. E foi mudança aos poucos, porque até hoje me dou conta de coisas minhas que já não estão mais lá e, quem roubou, eu jamais vou saber. O sorriso mudou e a vontade de sorrir pra qualquer pessoa também, graças a Deus. Foi por sorrir tanto de graça que eu paguei tão caro por todas as coisas que me aconteceram. Às vezes me pego olhando ao meu redor e vendo tanta menina parecida comigo. Tanto sentimento gritando de bocas caladas e escorrendo de peles secas. Tanta coisa acontece com a gente. Tanta gente passa pela gente, mas tão pouca gente realmente fica. E eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não consigo. Eu não consigo mais ser triste só para mostrar que um dia eu fui - ou achei que tivesse sido - feliz. Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não torna mais poético, chorar não deixa mais aliviado e implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que você queria muito alguém, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer. Eu que gritei para tantas pessoas ficarem, hoje só quero mesmo é que elas sumam de uma vez por todas. E em silêncio, que é pra ninguém ter porque se lamentar."

(Tati Bernardi)
"Enquanto isso, por aqui, eu espero você acordar desse sonho. As vezes tenho vontade de tacar um balde de água gelada em você pra ver se acorda. Você definitivamente não sabe o que me dizer. Quer 30 segundos pra arrumar uma desculpa melhor? Porque as suas estão ultrapassadas. Faz tempo que não percebe que eu mudei a cor do meu cabelo. Que não tenho mais as unhas grandes que te incomodavam tanto. Quanto a isso, eu te desculpo. Tenho vontade de te chamar de idiota também. Porque é isso que você é. Tá me perdendo e não percebeu ainda. Tá esperando legenda? Eu choro, respiro, tenho medo mas isso não faz a mínima diferença pra você. Mas eu insisto em nós e vim aqui te pedir cuidado. Não me deixa ir embora, isso é quase uma súplica. Cuida do pouco que restou de nós pra ver se ainda vai restar alguma coisa pra contar pros nossos filhos - se eles existirem, claro. Mas não deixe eu sair por aquela porta. Mesmo que seja de mãos vazias. Eu não voltaria pra buscar nada. Porque na verdade, não ficaria nada para trás. Nem roupas, nem jóias. Nem amor. Nem lembranças. E isso vai doer que eu sei."

(Tati Bernardi)
"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (…) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (…) talvez um se matasse, o outro negativas. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."

(Caio F.)
"Detesto quem não se busca. Quem se acostuma a viver, da mesma maneira como se acostuma a dormir ou comer. Viver fica uma coisa automática, pouco importa se boa ou má, vazia ou não. Basta viver, como uma obrigação da qual não se pode fugir."

(Caio F.)
"Não é saudade, porque para mim a vida é dinâmica e nunca lamento o que se perdeu - mas é sem dúvida uma sensação muito clara de que a vida escorre talvez rápida demais e, a cada momento, tudo se perde. Nunca nos falamos, praticamente, nunca nos olhamos. Ficou só aquela vibração de silêncio, muito forte."
(Caio F.)
"Pra não pensar na falta, eu me encho de coisas por aí. Me encho de amigos, bares, charmes, possibilidades, livros, músicas, descobertas solitárias e momentos introspectivos andando ao Sol. E todo esse resto de coisas deixa ao pouco de ser resto, e passa a ser minha vida, e passa a enterrar você de grão em grão (…)"

(Tati Bernardi)
"Então um lado meu pensa: é sina, é fado, é destino, é maldição. Outro lado pensa: não, é mera neurose."
(Caio F.)
"E você descobre que ele acha que saudade ou vontade de fazer carinho se resume a uma passada de mão na sua bunda, ou uma apertada no seu peito. E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba, ou até mesmo triste. (…) Será que não da pra recomeçar tudo de novo e tentar acertar dessa vez? (…) Ainda que doa deixar pessoas morrerem, se agarrar a elas é viver mal assombrado."

(Tati Bernardi)
"O que eu queria era transfusão de vida, o riso me entrando na veia até me engolir."


(Mia Couto - O Cesto)

"Fui dormir umas vezes tão feliz, que, se soubesse minha força, levitava. 
Em outras, tanta foi a tristeza que fiz versos.."

(Adélia Prado)

"O tempo não existe.
Sou apenas o aqui e o presente.
E o atrás disso, como um rio que corre mas não passa,
- Pois ele é sempre, em mim, agora -"

(Lya Luft, o Rio do Tempo)
"Deixo-te livre para sentir minha falta, se é que faço falta. 
Tens meu número, na verdade, meu coração, então se sentir vontade de falar comigo, me procura você."

(Caio F. Abreu)
"Estou aberto e sabendo muito bem quem sou e o que pretendo - sem ilusões enlouquecidas."

(Caio F. Abreu)
"Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto."

(Caio F. Abreu)

"Desculpa, mas não entendo. Eu quero tudo e mais ainda. Amor tem que encher o coração, a casa, a alma. Pouco ou metades nunca me completaram."

(Clarice Lispector)

"Quero viver enquanto estiver acesa, em mim, a capacidade de me comover diante da beleza. Essa capacidade de sentir alegria é a essência da vida."

(Rubem Alves)
"Para isso precisei abrir em mim um espaço onde abrigar as coisas positivas, e desejei que fosse maior do que o local onde inevitavelmente eu armazenaria as ruins."


(Lya Luft)
"Fechei a porta, encostei a parte de cima da cabeça contra ela. Só nos filmes as pessoas fazem isso, nunca vi ninguém fazer de verdade. Comecei a fazer para ver se sentia o que as pessoas sentem nos filmes – pessoas sempre sentem coisas nos filmes, nos bares, nas esquinas, nas músicas, nas histórias. Nas vidas acho que também, só que não se dão conta. Depois percebi que aquela dor que sobe ali do olho esquerdo pela testa diminuía um pouco assim, então fui me virando até apertar o lado esquerdo da cabeça, justamente onde doía, contra a porta fechada. A dor doía menos assim, embora não fosse exatamente uma dor. Mais um peso, um calafrio. Uma memória, uma vergonha, uma culpa, um arrependimento em que não se pode dar jeito."

(Caio F. Abreu)
"— Vamos nos encontrar?
— Já nos encontramos. Inclusive, já nos perdemos.
— Vamos tentar!
— Já tentamos, mais de uma vez. Vamos parar por aqui?
— Estamos parados há muito tempo."



(Caio F. Abreu)