(Noemyr Gonçalves)
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Porque tu sabes que é de poesia, minha vida secreta..
Como diria Clarice: várias faces do mesmo eu..









"Eu, com minha personalidade meio Amélie Poulain, acabo me estrepando quando o muro é alto demais. Quem irá me resgatar? Like a hurricane. Desmontei-me em dias escuros e fiz-me singular. Do que ninguém sabe: o lote era defeituoso e jamais me fui. A fábrica foi fechada e desmontar-me não passou de desculpa para a despretensão que não carrego."
"(...)de mim sei nada, sei muito dessa palha que se chama aparência,
sei nada dessa coisa entranhada do meu ser de dentro (…)
(...) e a cólera de saber que tudo me possui
e ao mesmo tempo nada,
que nada em mim é permanência, vínculo,
tudo se adere ao circulo, tudo é a mesma linha
que se estende, tudo é tangente, tudo esta colado a mim.
Dentro de mim, sagrado descontentamento."
(Rútilos, pág 15 e 16- Hilda Hilst)
"Eu espero que a vida te surpreenda e que você não se prenda, não se acanhe, não duvide.
Porque parte das coisas boas vem das lutas, mas a outra parte vem sem avisar.
Eu desejo que os dias te peguem desprevenido, desajeitado, despreocupado.
Afinal, o que não foi programado também funciona, nem toda ação inesperada merece ser descartada e algo não planejado pode vingar.
A regra às vezes é não ter regra.
E via de regra, funciona!"
(Fernanda Gaona – Desejo)
"Eu não te ligo, você me faz chá de camomila. Eu choro me sentindo presa, você me mostra que amar é liberdade. Eu tenho insônia, você me conta histórias... De nós dois, de como nos conhecemos (acho que no fundo você só quer me lembrar do que a gente tem — que é especial.) Eu não vou ao seu encontro, você vem ao meu. Eu te ignoro, você me sorri. Eu quero festa, você calmaria (mas você acaba querendo festa só por causa de mim.) Eu faço cena, você me acalma. Eu não te quero, você entende. E se eu te quero é você quem vem. Eu deito do lado esquerdo da cama, você do direito. Eu leio Clarice, você Manoel de Barros. Eu complico, você não vê por quê."
(Noemyr Gonçalves)
"Enquanto ainda há disto, pensei, um sol tão brilhante, um céu sem nuvens e tão azul, e enquanto me é dado ver e viver tamanha beleza, não devo estar triste. Para qualquer pessoa que se sinta só ou infeliz, ou que esteja preocupada, o melhor remédio é sair para o ar livre, ir para qualquer parte, onde possa estar só — com o céu e com a natureza. Então compreende que devemos ser felizes no meio da vida, simples e bela. Enquanto assim for, sei que há uma consolação para todas as dores e em todas as circunstâncias. Creio que a natureza alivia os sofrimentos."
(Anne Frank)
"(...) o jeito é cumprir nossas escolhas e abandoná-las quando for preciso, mexer e remexer na nossa trajetória, alegrar-se e sofrer, acreditar e descrer, que lá adiante tudo se justificará, tudo dará certo. Algumas vidas até podem ser tristes, outras são desperdiçadas, mas, num sentido mais absoluto, não existe vida errada."
(Martha Medeiros – E se tivesse sido diferente? – Feliz por Nada)
"Adormeci enfiada na sua camiseta. Talvez pra me dizer que sinto falta da sua alegria em mim. Das vezes em que ela me frequentou. Da sua boca perfeita que ao sorrir convidava os olhos, apagando a dureza do resto. E ao acordar e me ver com sua malha de camisola em mim, lamentei o que não nos veste mais.
Quis arrancar da nossa história o absurdo das coisas. Mudei o criado-mudo de lugar na tentativa de alterar um desfecho. Dormi enfiada na sua camiseta como se amanhã pudesse ser de fato outro dia. Mas foi na cama vazia e leve que acordei. O silêncio ecoando fúria. Enfiada em sua blusa. Triste, sim. Mas livre. Sem você. Sem o medo."
(Cris Guerra)
"Não ache que você consegue me entender com meia hora de prosa.
Sou tal qual moringa d’água.
Simples à primeira vista, como uma boa cerâmica, mas quem me vê assim, só querendo matar a sede, só de passagem, não faz idéia da trajetória do meu barro, nem das tantas vezes que desejei mudar o meu destino."
(Solange Maia)
"Vem em uma saudade torta, sem eira nem beira. Nunca o fitei nos olhos, nunca o vi sequer de longe em um dia banal pelas ruas que passei. Num leve pulsar sinto-o perto, faz saudade criar horizonte, brotar esperança: que loucura é essa, dentro do peito meu Deus? – É pensamento sem freio, entorpecido. Levanto da cama exagerada nas ideologias do poeta. Nem é caos, é bagunça só! Bagunça que não sei por onde começar a arrumar, muito menos como ajeitar. Não tem poeira em canto algum, não é nada espalhado. Mas não tem ordem, não tem começo. Somente sei que existe a quilômetros de distância, e sinto, como sinto!"
(Renata Alves)
"Só que aí eu acabei mudando. E foi mudança aos poucos, porque até hoje me dou conta de coisas minhas que já não estão mais lá e, quem roubou, eu jamais vou saber. O sorriso mudou e a vontade de sorrir pra qualquer pessoa também, graças a Deus. Foi por sorrir tanto de graça que eu paguei tão caro por todas as coisas que me aconteceram. Às vezes me pego olhando ao meu redor e vendo tanta menina parecida comigo. Tanto sentimento gritando de bocas caladas e escorrendo de peles secas. Tanta coisa acontece com a gente. Tanta gente passa pela gente, mas tão pouca gente realmente fica. E eu sei que, talvez, eu tivesse que ficar triste. Talvez eu tivesse que continuar secando lágrimas, abraçando o vento e rindo no vácuo, mas o fato é que eu não consigo. Eu não consigo mais ser triste só para mostrar que um dia eu fui - ou achei que tivesse sido - feliz. Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não torna mais poético, chorar não deixa mais aliviado e implorar não traz ninguém de volta. Aprendi também que por mais que você queria muito alguém, ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer. Eu que gritei para tantas pessoas ficarem, hoje só quero mesmo é que elas sumam de uma vez por todas. E em silêncio, que é pra ninguém ter porque se lamentar."
(Tati Bernardi)
"Enquanto isso, por aqui, eu espero você acordar desse sonho. As vezes tenho vontade de tacar um balde de água gelada em você pra ver se acorda. Você definitivamente não sabe o que me dizer. Quer 30 segundos pra arrumar uma desculpa melhor? Porque as suas estão ultrapassadas. Faz tempo que não percebe que eu mudei a cor do meu cabelo. Que não tenho mais as unhas grandes que te incomodavam tanto. Quanto a isso, eu te desculpo. Tenho vontade de te chamar de idiota também. Porque é isso que você é. Tá me perdendo e não percebeu ainda. Tá esperando legenda? Eu choro, respiro, tenho medo mas isso não faz a mínima diferença pra você. Mas eu insisto em nós e vim aqui te pedir cuidado. Não me deixa ir embora, isso é quase uma súplica. Cuida do pouco que restou de nós pra ver se ainda vai restar alguma coisa pra contar pros nossos filhos - se eles existirem, claro. Mas não deixe eu sair por aquela porta. Mesmo que seja de mãos vazias. Eu não voltaria pra buscar nada. Porque na verdade, não ficaria nada para trás. Nem roupas, nem jóias. Nem amor. Nem lembranças. E isso vai doer que eu sei."
"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (…) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (…) talvez um se matasse, o outro negativas. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."
(Caio F.)
"Não é saudade, porque para mim a vida é dinâmica e nunca lamento o que se perdeu - mas é sem dúvida uma sensação muito clara de que a vida escorre talvez rápida demais e, a cada momento, tudo se perde. Nunca nos falamos, praticamente, nunca nos olhamos. Ficou só aquela vibração de silêncio, muito forte."
(Caio F.)
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Eu?
- Vanessa Plakitqen.
- Cascavel, Paraná, Brazil
- Pessoa inteira, esquisita, taurina, grande pelo que já vivi, baixinha de altura :p, singular, disciplinada, criativa, navegante de caminhos inóspitos, ser amigável, inquieta, tatuada, fala palavrão. Misteriosa, forte, dominadora e ciumenta. Tenho defeitos que considero indispensáveis e um olhar blasé. Já usei piercing, gosto de rock'n'roll e odeio preconteito. Sou multicolorida, preto no branco, excêntrica, desajustada, questionadora, com sede de conhecimento, estudante de psicologia e enfermagem. “sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher... sou minha, só minha”. Como toda pessoa interessante eu sou uma mulher cheia de contradições. Sou meu milagre cotidiano.
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(Textos sem créditos, ou são meus ou não encontrei a autoria. Se você souber de quem é, ou se algum estiver errado. Por favor me avise para arrumar!)
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